Conheça a história de amor da Senilda, de Porto Velho, vencedora do concurso do Dia dos Namorados

Para celebrar o amor, a Toli realizou um Concurso Cultural para o Dia dos Namorados. As clientes puderam contar suas histórias e concorrer a R$ 1.000,00 em compras. Foram centenas de relatos emocionantes, onde todas compartilhavam um ponto em comum: a celebração de um sentimento puro e verdadeiro. Conheça agora a história de amor da Selenilda, cliente da Toli Porto Velho, uma das cinco premiadas.

Era um dia de domingo, não exatamente como entoado na canção, mas com a obrigação semanal de assistir à Santa Missa, cumprida com muito prazer, pois tenho forte formação religiosa, sentindo-me bastante à vontade nesse tipo de ambiente.

Durante a solenidade o padre apresentou o novo seminarista, que estava prestes a ser ordenado: Cláudio Guastella, italiano enviado enviado para Rondônia.

Fazia algum tempo que eu queria aprender o idioma, porque minha irmã morava na Itália, mas na cidade de Porto Velho não há público para formar uma classe em escola especializada. Assim, ao conhecê-lo, propus o ministério das aulas, informando ter mais alguns amigos interessados, o que foi logo aceito por ele.

Formamos um pequeno grupo de cinco pessoas e as aulas se iniciaram, fazendo surgir em mim um sentimento diferente, diria até estranho, pois não conseguia definir, nem explicar a sensação que me invadia a cada encontro, com clara receptividade, mas limitada aos pensamentos e ao coração, devido às circunstâncias.

Talvez auxiliados por anjos, em determinado dia somente eu compareci, o que nos proporcionou abertura para conversarmos mais e melhor. Cláudio tomou a iniciativa de reconhecer o quão “desconfortável” ficava com minha presença. Chegamos a cogitar que a vocação dele estava sendo testada e nos propusemos a um afastamento.

Ficamos sem qualquer contato por uma semana, que mais pareceu um ano, até ele me ligar dizendo estar disposto a desistir da ordenação, viver e cultivar, na plenitude, o amor brotado entre nós. Ao comunicar sua decisão ao superior, Cláudio teve que retornar para a Itália. Ele não tinha uma profissão e eu, servidora pública estável, não poderia deixar minha carreira e nem mesmo me ausentar sem autorização prévia.

Passamos cerca de seis meses limitando-nos a longas conversas telefônicas que se faziam entender pela linguagem do amor, já que tanto meu italiano quanto o português dele dele eram de principiantes, até que conseguimos nos reencontrar por uma semana no Rio de Janeiro.

Acabei conseguindo a concessão de três meses de licença-prêmio e mais um mês de férias para apostar tudo naquele relacionamento, viajando para a Itália e convivendo intensamente com ele. Eu sabia que teria alguma chance de frustração, mas algo me dizia ser muito remota, diante de toda grandeza de caráter demonstrada por ele desde o início e minha intuição foi confirmada.

Decidimos morar no Brasil pela minha estabilidade profissional e ele abriria um restaurante, mas antes nos casamos numa emocionante solenidade com a graça de sermos abençoados presencialmente pelo inesquecível Papa João Paulo II.

Chegando ao Brasil, compramos um pequeno imóvel para instalar o restaurante. A inauguração foi um sucesso, como tem sido até hoje, já bem expandido, levando Cláudio ao recebimento de um prêmio nacional. Devido a um problema de saúde não posso engravidar e então decidimos adotar Ariely, quando ela tinha pouco mais de dois anos de idade.

Em 2010 fui diagnosticada com câncer no estômago e viajamos os três para o Rio de Janeiro, desta vez, não mais para um encontro romântico e sim para tratamento médico. Experimentei o amargo sabor de uma UTI, sendo estimulada em todas as visitas pela voz de Ariely cuidadosamente gravada por Cláudio, pedindo-me para ser confiante e acreditar que em breve sairia dali. Após a alta da UTI, passei mais um mês internada. Todos os dias ao acordar eu me deparava com um cartaz colocado por Cláudio na porta do quarto, com os seguintes dizeres: “Na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, eu vou te amar por todos os dias de minha vida”.

No mês de maio completamos 17 anos de casados. Ariely está com 14 anos, é uma adolescente tranquila, boa filha, boa aluna, enche-nos de orgulho. Cláudio, cada vez mais realizado com seu restaurante, tornou-se também vice cônsul da Itália em Rondônia e eu, acabei de completar 50 anos de idade, com uma maravilhosa celebração à vida organizada por ele, maior responsável por minha eterna gratidão a Deus, que tornou um simples domingo na porta que me conduziu à minha história de um grande e verdadeiro amor.